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Publicado em 3 de fevereiro de 2021

Na crise da pandemia, associado da SBQ foi chamado a assumir um novo hospital só para COVID

O agravamento da pandemia levou o governo pernambucano a aproveitar um hospital de Olinda desativado há tempos, que foi inteiramente equipado e reaberto como Hospital de Referência exclusivamente para casos de COVID. Para dirigi-lo, foi convocado o professor Raul Carneiro Lins, um associado muito atuante da SBQ.

“Fui escolhido devido a duas condições: primeiro, eu já tivera COVID, leve, estava recuperado e segundo, com a restrição às cirurgias eletivas estava com tempo livre em relação a quadril e continuo, porque agora os clientes preferem esperar a imunização para serem operados com maior segurança”. E as aulas também estavam suspensas

Raul conta que a COVID afetou principalmente seu olfato, que já voltou quase todo, só não sente o aroma de café e da canela, mas diz que ainda bem que a doença não limitou sua capacidade de sentir o perfume de sua mulher, que curte muito.

O hospital que assumiu tem 100 leitos, sendo que 40 de UTI, 20 de Enfermaria e outros 20 de Pediatria, pois se temia que a segunda onda afetasse muito as crianças, o que não ocorreu. Os leitos de adultos, porém, foram rapidamente ocupados, “chegamos a 96% de ocupação, mas com redução da letalidade”. Sua impressão é que a nova variante do vírus tem maior transmissibilidade, mas menor letalidade. 

Outra característica que notou na segunda onda é um turn-over muito grande nos leitos de Enfermaria, pois as internações costumam ser por curto período.

Trabalho com os ex-alunos

Raul diz que sua missão no novo hospital é uma experiência gratificante mas muito trabalhosa. Depois de equipar o hospital, o governo passou sua administração para uma organização social e cabe a Raul administrar 395 funcionários, 50 dos quais médicos, alguns dos quais ex-alunos seus da Universidade Federal de Pernambuco, todos muito dedicados mas estressados com as novas atribuições, principalmente no que respeita à gestão, relatórios e todas as exigências decorrentes de enfrentar uma doença sobre a qual se sabe muito pouco. 

O especialista diz que a experiência que está tendo é muito positiva tanto para si como para os demais médicos, tanto que apesar das aulas na Faculdade terem voltado a serem presenciais em parte a partir do final de fevereiro, já está pensando em prolongar o contrato no hospital, que termina em abril mas pode ir até julho, se for necessário. Afinal, como todo médico.  está acostumado a compatibilizar várias atribuições e as cirurgias que está fazendo no momento são só ambulatoriais.

“A correria vai começar mesmo quando os clientes, vacinados, começarem a nos procurar em massa, porque a demanda reprimida desses meses todos provocou um represamento muito grande”, diz ele, mas até lá, vai continuar se ‘especializando’ em COVID. 


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