Guydo Marques enfrenta o desafio de organizar o Congresso, apesar das incertezas da pandemia

A expectativa é que o Brasil terá voltado ao normal em setembro do ano que vem, quando será realizado o XIX Congresso da SBQ. Entretanto, para  realmente acontecer nos moldes sempre esperados, o evento precisa ser minuciosamente programado, projetado e organizado com muita antecedência, envolvendo uma imensa gama de detalhes tais como a escolha do local do congresso, a confirmação de convidados nacionais e internacionais, que na atual quarentena não podem sequer sair de seus países, bem como a realização de patrocínios com empresas que hoje não têm ideia de suas previsões orçamentárias em 2021, mas o imenso desafio não preocupa Guydo Marques Horta Duarte.

Com seu jeito mineiro tranquilo e confiante, Guydo não se assusta sequer com a impossibilidade de fazer uma visita ao “Minascentro”, acompanhado pelo Presidente e Diretor Científico da SBQ, para que possa finalizar a escolha do local do congresso, pois todo o espaço está fechado por determinação municipal. Ninguém entra, por causa do coronavirus.

Afinal, esse belorizontino que ainda no primário ficou tão impressionado com o esqueleto usado em uma aula de ciências que naquela mesma hora decidiu que seria médico, conhece como poucos a Sociedade Brasileira de Quadril, em cuja Diretoria esteve durante oito anos, na posse de todos os cargos com exceção de Diretor Científico, finalizando no cargo de Presidente biênio 2018/2019.

É este conhecimento que faz com que Guydo Marques afirme com segurança que, apesar do estrago que o vírus está fazendo, afetando e muito as finanças dos associados, vai montar e realizar um grande Congresso o qual, há de satisfazer a todos.

O Quadril – Além do esqueleto que V. curtiu no primário, o que mais o fez optar pela Medicina?

Guydo Marques – No quarto ano do curso primário quando tive contato com noções de anatomia humana, em aulas ministradas pela saudosa e muito estimada professora D. Maria das Dores, e principalmente estimulado pelo fascínio que o estudo do esqueleto humano provocou em mim, decidi que queria ser médico. Tenho como parente médico, uma tia que ciente da minha convicção em estudar medicina me estimulou muito. Mas a decisão da criança que eu era foi tão marcante que nunca hesitei. Cursei Medicina na Federal de Minas Gerais e desde o início me interessei por especialidades cirúrgicas como Cirurgia Geral, Neurocirurgia e Ortopedia. Sempre gostei de cirurgias de grande porte, por isto também a opção pelo Quadril. E nunca me arrependi. Me lembro bem que uma das primeiras cirurgias ortopédicas que auxiliei, já como residente, foi uma hemiartroplastia do quadril, pela via de acesso ílio femoral de Smith Petersen, em paciente portador de fratura do colo do femur. Esta cirurgia despertou em mim um grande interesse e encantamento pela cirurgia do quadril.

O Quadril – E a sua carreira, foi sempre centrada em Minas?

Guydo Marques – Nasci, cresci, estudei e me formei em Belo Horizonte, onde sempre trabalhei e continuo trabalhando com grande prazer e entusiasmo.  Tenho a sorte de possuir como principal hobby a minha profissão. Realizar cirurgias ortopédicas e presenciar os resultados das artroplastias primárias e de revisão me proporcionam uma enorme satisfação.

Em Minas, fiz a residência médica em Ortopedia no Hospital Governador Israel Pinheiro do IPSEMG, onde tive a felicidade e o prazer de ter como preceptor da residência o Dr. Mário Chaves Corrêa, detentor de um conhecimento ímpar da Clínica e Cirurgia Ortopédicas. Nos orientava sempre para estudar em trabalhos originais dos grandes nomes da ortopedia mundial que ele conhecia muito bem, pois possuía uma fantástica biblioteca que comumente colocava à nossa disposição. A atividade cirúrgica era intensa e pudemos realizar inúmeras cirurgias complexas sob a generosa supervisão do Dr. Mário, que a mim, particularmente, proporcionou muitas oportunidades de aprendizado e amadurecimento técnico, científico, ético e profissional. 

No Hospital do IPSEMG também fiz o Mestrado Acadêmico. “Avaliação dos Resultados Clínicos e Radiográficos na Artroplastia Total Cimentada do Quadril em 477 Pacientes”, foi a tese defendida em 2008 e posteriormente publicada na RBO. 

Cursei também em Minas Gerais o doutorado em Cirurgia na Faculdade de Medicina da UFMG, com a tese intitulada  “Avaliação Clínica e Radiográfica na Reconstrução Acetabular com Enxerto Impactado em Artroplastias Totais Primárias Cimentadas do Quadril”, defendida em Junho de 2019 diante de uma banca examinadora toda composta por renomados professores doutores de ilibados conhecimentos técnico e científico, que com suas presenças muito me honraram e honram, dentre eles, o também ex-presidente da SBQ Professor Emerson K. Honda, e cujas avaliações e sugestões em muito contribuíram para a redação final do nosso estudo, que já estamos preparando para publicação.

Ainda em Minas, fui coordenador da Clínica Ortopédica do IPSEMG, no qual também chefiei o Serviço de Cirurgia, e atualmente, coordeno o Grupo de Quadril credenciado pela SBQ no mesmo hospital do IPSEMG; sou integrante do corpo clínico do Hospital Ortopédico de Belo Horizonte, chefio o Serviço de Ortopedia do Hospital Vila da Serra do qual sou sócio fundador, e sou membro e Responsável Técnico pela Equipe especializada em Enxerto de Tecidos Ósseos também no Hospital Vila da Serra.

O Quadril – E quando passou a, digamos assim, a ter uma atuação mais ampla?

Guydo Marques – Em 2002 fui convidado a assumir o cargo de Secretário da SBQ – Regional Sudeste, em 2004 fui eleito para a Vice-Presidência e depois para a Presidência do biênio 2006/2007. Fui Vice-Presidente e Presidente da Regional  mineira da SBOT, respectivamente em 2003 e biênio 2004/2005.

Em 2012 Sérgio Rudelli me convidou para a Secretaria da gestão que ia começar e por oito anos prestei serviços à Diretoria Nacional da SBQ. De Secretário passei a Tesoureiro na gestão do Sérgio Delmonte, Vice-Presidente na  gestão do Carlos Galia  e depois assumi a Presidência (2018/19). O mandato terminou em dezembro de 2019, quando já então havia sido escolhido para a nova missão de presidir o Congresso Brasileiro de Quadril em 2021.

O Quadril – E como está a organização do XIX Congresso Brasileiro de Quadril?

Guydo Marques – A organização começou com dois anos de antecedência, o que é normal. A grade científica não é problema, pois o crescimento da SBQ, a multiplicação dos cursos e eventos principalmente na gestão Carlos Galia, o ativismo das Regionais e o grande número de especialistas experientes e reconhecidos facilita esse trabalho.

Entretanto, o andamento de vários trabalhos organizacionais estão sendo alterados e atingidos pela pandemia e quarentena. Em final de setembro e outubro do ano passado a nossa equipe já havia levantado a rede hoteleira, que é muito boa, a malha aérea, que é adequada e propicia transporte a preço módico, pois Minas é um Estado central, e depois de visitarmos vários locais com potencial para a realização do Congresso, reservamos a data no Minacentro, um tradicional e bem equipado espaço de eventos de porte médio a grande, com localização bem central e próxima da maioria dos melhores hotéis da cidade.

Dando continuidade, deixamos agendado para março uma visita ao Minascentro para “bater o martelo” definindo oficialmente o local do congresso,  tendo marcado com o Presidente Giancarlo Polesello, o Diretor Científico Ricardo Horta e o Presidente da CEC, Marcos Giordano, para também participarem da visita. Estava tudo acertado quando então a quarentena obrigou o Minascentro a fechar! Até nova determinação da autoridade municipal, não entra ninguém, nem para simples visita…

O Quadril – Então, na hora H, vocês ficaram no ar?

Guydo Marques – No ar propriamente não, porque mineiro é precavido. Além da reserva de data, vamos ter a prova de título dia 7 e o Congresso de 8 a 10 de setembro, e já tínhamos conseguido as plantas arquitetônicas do local. Assim, a definição de fazer o evento com dois auditórios simultâneos está confirmada, a área de exposições definida e a empresa “VS Futura” já está se programando para a venda dos estandes e acertando patrocínios, mas tudo com a incidência de grandes dificuldades decorrentes da incerteza do futuro próximo. O patrocínio é vital, pois apesar de ter crescido muito, a SBQ não pode arcar com um congresso deficitário. O resultado positivo dos congressos nos últimos anos, tem possibilitado a remessa de recursos para as Regionais, que assim financiam seus eventos que são importantíssimos para todos.

O Quadril – E os convidados internacionais?

Guydo Marques – É outra questão bastante complexa. Geralmente os convites são enviados, aceitos e fica tudo combinado com um ano de antecedência, mas agora ninguém sabe nem dizer se pode aceitar. Basta ver os eventos tanto do Quadril como das outras especialidades, que tinham palestrantes estrangeiros confirmados e todos cancelaram a presença, obrigando a refazer a grade na última hora.

O vírus é um complicador tão grande, que não tenho dúvida de que se o Congresso fosse este ano, teria que ser adiado. No ano que vem, será muito mais trabalhoso montá-lo, mas com a Graça de Deus vamos conseguir e permanecemos trabalhando em tudo que pudermos realizar agora. Até já decidimos os temas centrais, “Artroplastia Primária e Revisão”, sem esquecer as outras áreas como “Trauma e Preservadora” por exemplo, e em tudo sempre focados na melhor qualidade da grade científica, bem como em todos os pormenores necessários para a realização de um grande congresso que corresponda às expectativas dos integrantes da sociedade.

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